segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Soneto da Partida


Distinto em nuvens me ponho a bailar
Na partida, os abraços
Pés descalços pelo ar
Por aqui, os entrelaços

E como ei de viver sem esse eterno amor?
Parto com a certeza do suspiro
Manhã, noite, tardo... olhares respiro
Saudade eterniza com ardor

Meus caros, não me deixem em pensamento
Tenho as ti como sacramento
E dou-me na certeza que se abre a janela

E sigo os passos doces
Agora desatados dessa tramela
Mas de certo, amor que não me falhe!

Renara Afonso

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Misto quente




No que sinto há muita tensão - Intenso
É ela que vem toda acre de saia rodada:
Saudade, ata minh’alma.
Por favor, dona moça do poder,
Não me faça assim tão impotente
Dê-me ao menos esperança de que um dia partirás!
A saudade é a certeza do sentimento
E veemência de presença do partido que ficou
Ela agora samba seu canto doce em meu peito frágil
Oh querida, não me tome como tua
Quero-te na certeza que amor é o que sinto
Apalpo-lhe convicta de que és efêmera.
Após vôo plano e distinto,
O pássaro volta ao ninho sedento.
É certo, não há incremento!
E na concomitância de sorrisos e saudades...
Hora esperada chegada no afago da alegria.
Um misto quente
Acolhe diante do ácido que dilacera
Alegre estou,
Saudades sinto.
É demasiado preenchimento.



É um ditado de um hoje, alegrias chegam... peço que fiquem... saudades carcome, peço que se vão [...]



O abraço dolorido da partida
Sorrisos num mix de umidade salgada
O sentimento de que estás indo sem sair do lugar
A esperança do reencontro, do abraço atado de emoções doces
Vás viril, tenho aqui o amor suave
A paz dos seus braços ainda me tem.



... e agora... ciclo que se finda.

Alegria de outrora e medo do passo futuro me retém.



Um misto quente.


Outras alegrias virão...

Outras saudades eu não quero não.!~

{}



Renara Afonso.

sexta-feira, 2 de julho de 2010


Solo não contém pingo de mim
corpo me retém em alma viva.
Ágape aquecida acoberta o inverno,
agasalha, florescendo em primavera.
Cores se banham em orquídeas sussurrantes.
Metade de mim avoa,
Outra metade flutua em amplexo macio.
Amor ressoa e quer gritar um canto doce,
coração bate as asas e pousa em meu peito:
ele se abre e acolhe o passarinho colorido,
que ali tece o ninho na cúpula do clímax.
Esse amor que não sabe donde vem,
não tem caminhos donde vais:
É puro, é leve.
Em instantes só se refaz.
É na origem que sabemos donde viemos;
quem sabe se noutra vida estivemos?!
Aqui te reconheci.
Amor,
é esmero de artesão,
arte de delicadeza rebuscada
na essência que desabrocha
o cuidado no tato.
Resplandece a luz de cada dia que me alumia.


Renara Afonso.

sábado, 26 de junho de 2010

[Re]volta


Inspiração não me falta,
o tempo é quem me demora!
Só quero voltar...
no passo dos confins dos meus sorrisos,
em verdes sonhos flutuar.
Aquele corpo fincado,
abre a porta dos caminhos das asas
e tenta voar.
Desenterra alma lavada,
sacode a poeira,
se lava de amarelo o coração fiel,
banha de azul na pureza do mar...
No branco se deita, diante do Pai,
distante do 'xão'.
É o amor que eleva o corpo são.


É inverno de calor... verão de amor! {}... aquece em fogo a mente que pulsa a flor que (re)nasce [].!~


Renara Afonso.

domingo, 13 de junho de 2010







{}...um passarinho no fio de alta tensão.

sábado, 12 de junho de 2010

Pá Lavras


E essas palavras, que não passam de palavras?! São só palavras...

Trazem-nos alegrias, outrora agonias... Podem ser ditas verdades doídas ou mentiras risadas. Elas nos trazem o amor, e de certo a dor.

Podem ser confundidas, e sim, bem entendidas!

Oh adoradas palavras... Palavras bonitas, palavras singelas, me tragam o lirismo poético, não me permita um ser cético.
Aliteração me intervém e devo a ti palavras que me contêm.

Elas não são minhas, nem suas, nem de ninguém... Elas pairam no ar... {} a sensibilidade que aflora nos permite entoar, e aqui transcorrer seus mosaicos formulados em linhas brancas que colorem meu coração, escorre nas veias de meu sertão... [] ...me permite à gratidão.

Coloquiais, rebuscadas, paradoxais... bem empregadas... bom ser também almejadas... No gingado da coerência, atrelado ao sincronismo da coesão entram nos vãos das entrelinhas e traduzem meu coração.

Não posso ser egoísta e querer-te só a mim, dou-lhes às multidões, espalho-as nos confins...

Entrego-as ao vento: voe como um pássaro atento e traga o alimento ao seu ninho sedento.

São só palavras... Os sentimentos estão aqui, em mim.!~

E são elas, as palavras, que os levam a ti.

És minha dança, minha reza, meu samba... és minha canção, minha oração.... reserva toda minha intenção.

Hoje me dedico a ti, palavras.

São só palavras.
Eu não sei o que faço
Não sei o que acho
Só sei do que sinto
Entra pela boca, vai até o umbigo
Não é nada sucinto
As vezes que olho
As vezes que cheiro
Vejo que desenrolo
Outras manhas do ponteiro...


Renara Afonso.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Velha roupa colorida



Velha roupa colorida,
Minha tez adorna em verdes laços.
Agasalha meu coração brilhante,
Que se opulenta ao florescer num palpitar.
Agora aqui é tudo tropical!
Em seus braços suaves me demoro
E sonho ao dormir acordada.
Meu afago se faz no seu jeito manso
A voz manhosa do primeiro raiar
O ‘bom dia’ doce a cada tilintar, é pra você guria.
Nos movimentos corpóreos
O sincronismo latente.
É chama de fogo e em tudo se sente: atraente!
E é chuva que lava exaurindo o fogo.
Reacendendo a chama que não queima ,
Arde, amante.
O olhar menino, infinito sentir.
Sinto entrar na tua íris e ao piscar,
‘stendo às suas veias seu sorriso cintilante.
E embrenho sorrateira nos seus carinhos incessantes.
Velha roupa colorida,
Não se deixe acorar.



{} ___Uma brisa de Outono qualquer... uma réplica com sentimento bem quentinho.!~

Renara.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ébria Madrugada


Pela noite sedento,
Ouço o pulsar brilhante,
Em passos rasos de miudeza.
É chegado o tempo:
Madrugada translúcida.
Inebriado saio a bailar,
Em passos de veloz fúria,
Olhos de oiro expresso a manifestar.
Vai-se o controle das faculdades,
Perde-se inibições por efeito.
Embriagado posto-me em altivez.
Mais um badalar, o ponteiro.
Instantâneo, penso, logo escrevo:
Ébria madrugada.

...sobre o efeito da fria madrugada de vinte e sete de maio, fizera-me presente mais uma embriaguez sórdida do tempo... embriago-me no tinir do cuco. Querida Cinderela... []

{} bom dia.!~

terça-feira, 25 de maio de 2010

Saudade



Poderia escrever o mais belo soneto,
Proporções harmônicas em robustos versos,
Adstringente triste história;
Demasiada poesia,
Prosa em som de melodia,
Um samba de uma nota só,
Se enfim pudesse caracterizá-la.

Como transcorrer em linhas,
Abstração intensa de um pulsar delirante?
Um querer (in)constante.
O equilíbrio se desfaz.
Faz-se em mim um espetáculo pirofágico.

E além alma,
Ela circula em minhas veias.
E pulsa, pulsa.
E apenas sinto.

quinta-feira, 20 de maio de 2010


Encharca de pele minh'alma
Transcorre em dedos o segredo
Acidez atroz
Carcome em pedaços aflorada matinal

Áspero acre que dilacera
a mente in(sã)na
Deprave tu, deixe-me base
Alcalina
Deixe-me menina.

O sapato desamarrado
Tal penugem cortês
Consinta-se que sejas alterado
Traduza-me seu português.